sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Desejo III

Quero fluir pra você
como um rio corre pro mar.
Por que estando ao seu lado
não vejo o tempo passar.

O seu toque sempre tão terno,
o som da sua voz que me acalma,
a luz que acho em seu rosto,
é ela que ilumina minha alma.

Quero estar ao seu lado
antes que eu fique louco.
Pois para ficar contigo,
o “pra sempre” se torna bem pouco

Logo eu, sempre independente
hoje estou a sua mercê.
E se antes andava sozinho,
agora me perco em você.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Soneto da Indiferença




Tantos sonhos já há tempos esquecidos.
Tantas pedras encontradas no caminho.
Esperanças e anseios já perdidos.
Nada importa já que estou aqui sozinho.

Nessa vida onde o certo é a incerteza.
E o Temor com u’a faca, a alma corta.
Longas noites desprovidas de beleza.
E os dias tão sem vida. Nada importa

Não espero por ajuda ou socorro.
Não espero encontrar algum abrigo.
Ou uma mão gentil que me abra a porta

Já que ninguém sabe se eu vivo ou morro.
E não tenho entre as gentes um amigo
Novamente eu repito, nada importa.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Coração de Cavaleiro


Vou voar com as asas do vento,
tornar-me um cavaleiro alado.
Para então estar num momento,
aconchegado ao teu lado.

Sua voz já me faz muita falta.
Quero tanto você como abrigo,
que pra estar pra sempre contigo
voarei até a torre mais alta.

Os temores da noite sombria
ignoro, pois viso o quinhão.
E te ter pra mim todo o dia,
será esse o meu galardão.

Minha espada, cavalo e escudo,
os meus campos, todo o meu castelo.
Com prazer abrirei mão de tudo,
só pra ver  seu sorriso tão belo.

Se em muitas batalhas sangrei,
não me importo se fores só minha.
Pois de uma só coisa eu sei,
sou teu Servo e tu minha Rainha.

domingo, 21 de outubro de 2012

Essential

E do que é feita toda Poesia?
Responda-me enfim, qual é sua essência?
Será que ela nasce em meio à agonia?
E tem sua origem no fim da inocência?

Talvez ela seja do poeta um brado,
daquele que espera mudar sua sorte.
Que espera quem sabe, um dia ser amado,
e de uma forma louca flerta com a Morte.

Talvez seja ela um raio de esperança,
que brote do fundo de sua alma cansada,
e evita que ele se torne impassivo.

Que faz surgir nele aquela criança
que fica com o mundo maravilhada.
Talvez seja ela que o mantenha vivo.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Pétala


 
Uma rosa avistei no Jardim,
de todas ela era a mais bela
E pra mim tirei uma Pétala
pra estar sempre junto dela.

Era o presente perfeito
parar dar à mais bela donzela,
e isso aumentou meu desejo
de estar sempre junto dela.

Ela se destacava entre as outras.
Parecia pintada à aquarela.
E eu ao olhar desejava
estar sempre junto dela.

Desejei ter só pra mim
aquela rosa tão bela,
e viver tão feliz assim
estando sempre junto dela

mas longe do jardim não teria
a Beleza que então se revela
a Rosa então morreria
e eu não estaria com ela.

E já que eu não poderia
ter a Rosa em minha janela,
plantei em meu sonho sua Pétala
e hoje vivo junto dela.



sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Exílio em Si mesmo


Com palavras doces mascara o que sente.
Traz impresso no rosto um sorriso fingido.
Ao dizer estar bem ele sabe que mente.
Porém segue em frente no caminho escolhido.

Quem é esse poeta de alma atormentada?
Por que a sua dor dos outros esconde?
Por que escolhera tão triste cruzada?
Por que tais perguntas ele não responde?

Por que escolhera estar sozinho,
quando a angústia vem lhe atormentar?
Por que escolheu tão louco caminho?
E sem companhia sua sina enfrentar?

Por que é assim? O que ele teme?
Não encontra alguém em quem confiar?
O que o transformou? E quando ele geme
será apenas medo de amar?

Ele não responde, apenas caminha.
Achou na poesia razão de existir
Assim é melhor, sua alma é sozinha
Prossegue em sua sina de triste, sorrir.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O Brilho do Sol nas Águas do Mar


Finda-se a noite e nasce o Dia
Amanhece e aos poucos se vai o luar.
Ao longe gaivotas no velho  farol,
E o brilho do Sol nas águas do mar.

Das aves marinhas se ouve o canto
Seus gritos ecoam estridentes no ar
A manhã que surge mostra o seu encanto
Com o brilho do Sol nas águas do mar.

A vida inicia de novo o seu ciclo
Ao longe eu ouço um menino a cantar.
E pra completar tão belo cenário,
há o brilho do Sol nas águas do mar.

Já foi a tormenta, e não mais importa
a onda imensa na rocha a estourar.
Por mais que se chova sempre haverá,
o brilho do Sol nas águas do mar.



sábado, 14 de julho de 2012

Compreensão Inútil



Atribuí a mim mesmo tarefa tão inglória,
entender racionalmente o que é esse tal amor.
Por que e como ele vem? Qual a sua trajetória?
Por que nós o desejamos, se nos causa tanta dor?

Não tendo quem pesquisar, fiz de mim meu objeto.
“É mais seguro – eu pensei – lidar com quem já conheço”.
E ao olhar dentro de mim, vi-me então tão abjeto,
Tive a primeira conclusão, o tal Amor eu não mereço.

Pois em minha curta vida, nessa minha trajetória
O confundi com tantas coisas, em minha busca por verdade,
que agora analisando, meio que contra a vontade
em minha busca pelo ouro, e contentei-me só com a escória.

Procurei pelo amor em tantas bocas e olhares,
Então, triste vi minha busca se reduzir a pó.
Em vão lhe procurei, no chão, no mar, nos ares.
E ao final de cada busca ainda estava só.

Já agora me arrependo de enveredar-me por tal senda.
De tentar compreender algo que eu nunca tive.
Talvez um dia em minha vida eu ainda compreenda,
Que o tal amor não se aprende, que o amor a gente vive...











sexta-feira, 13 de julho de 2012

Não Pertencimento



Eles riem de mim enquanto passo.
Acham meu cabelo engraçado,
minha roupa estranha, sei lá.
Já eu, eu sinto pena,
Pois com suas mentes pequenas
não vêm a vida passar.
Eles riem de mim enquanto passo.
Me acham um sujeito esquisito
Caricatura mal feita,
E meio mal ajambrado..
Já eu, sinto compaixão,
Por que eles vivem na inércia,
enquanto não fico parado.
Eles riem de mim enquanto passo
Acham que ouço música ruim,.
“Essa guitarra tão barulhenta,
como você pode escutar?”
E eu, eu acho graça.
E em vão tento saber,
O que eles podem entender
de um “Tcha, tcha, tcha tcha tchum tchum tcha.”
Eles riem de mim enquanto passo,
E eu? Eu sorrio apenas, e Passo...

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Oásis



Por desertos eu passei
solitário a vagar.
E um Oásis encontrei,
no brilho do seu olhar.

Como estrela me guiou,
Deu-me um rumo a encontrar.
Um caminho me mostrou
enfim  pude descansar.

Pôs um fim à noite escura.
Acabou com meu lamento
Pôs um termo em minha loucura.
E um limite em meu tormento.

No entanto eu acordei,
de um sonho não passava.
E triste então notei,
Que sozinho ainda estava.

Eu prossigo caminhando,
sei que estás em algum lugar.
E assim vivo tentando,
meu Oásis encontrar.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Desabafo de um Vencedor

Quando enfim se encerrar minha trajetória
nessa vida de loucura e penar
Quando tudo não passar de uma memória,
eu direi valeu a pena esperar.

Valeu a pena toda lágrima vertida,
o caminho regado a pranto e suor.
Por que nada se encerra com a partida,
tem-se início uma vida bem melhor

Um lugar onde o choro não existe.
E não importa mais o sangue derramado.
Onde sorrirá aquele que foi triste.
É o lugar que pra mim foi preparado

Eu anseio como nunca esse momento,
onde enfim será liberta minha Alma.
Se porá um termo em todo sofrimento,
e assim mergulharei num mar de calma

Pois quando enfim se encerrar minha trajetória
nessa vida de loucura e penar
Quando tudo não passar de uma memória,
eu direi valeu a pena esperar.



sexta-feira, 25 de maio de 2012

Pátria, Mãe Gentil




“Dos Filhos deste solo és Mãe gentil”
Diz a letra da canção a qual cantamos.
E onde estão seus filhos, oh Brasil?
Quantos são, e onde é que os encontramos?

Os teus filhos pelas ruas passam fome,
Sem amor, são tratados como bicho.
Sem um lar, sem emprego, não tem nome,
Co’ animais se saciam com o lixo.

Estão jogados aos montões em cada esquina,
Lhes importa somente sobreviver.
E assim prosseguir com sua sina
de quem já não tem nada a perder.

Suas filhas vendem os corpos e a esperança
Se oferecem a todos na madrugada
Não souberam nem mesmo o que é ser criança
Muito cedo sua infância foi roubada.

Os seus velhos oh Brasil, veja sua sorte,
esquecidos no canto de um quarto imundo.
Que trabalharam tanto pra fazer-te forte,
Lhes vira a cara o os chamas de vagabundos.

De tuas crianças por favor tem piedade,
lhes afaste do poder da violência.
Que elas possam conhecer o que é bondade,
e assim preservar sua inocência.

“Dos Filhos deste solo és Mãe gentil”
Diz a letra da canção a qual cantamos.
E onde estão seus filhos, oh Brasil?
Quantos são, e onde é que os encontramos?

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Arlequim, Colombina e Pierrot




Se tu és minha Colombina
Serei sempre Arlequim
Pois já sei que minha sina
É te ter sempre pra mim

Cada sorriso no meu rosto
É inteiramente ao teu louvor.
Dos teus beijos quero o gosto
Me perder em seu Amor.

E se tu és meu Arlequim
Colombina sou pra ti
Pois quando vieste a mim
Por completo me perdi

O meu mundo então virou
Desde quando te olhei
Tudo em mim se transformou
Logo me apaixonei.

Já eu Pierrot não tenho sorte
Nessa vida malfadada
Pois de todo anseio a morte
A viver sem minha amada

Colombina não me ama,
E mais que tudo eu a quero
Por Arlequim é que ela chama
E por ela eu espero.









terça-feira, 22 de maio de 2012

Repouso



Já cansado das agruras dessa vida
Sinto que minha alma anseia descansar
Encontrar enfim em algum lugar guarida
Ter finalmente onde repousar

Ela clama por descanso e paz
Onde dor ou pranto já não existirão.
E lágrimas enfim não existem mais
E as tristezas finalmente cessarão

E espera o fim desses caminhos
Onde errante ela se perdia
E ferida muitas vezes nos espinhos.
Em sua jornada assim ela sofria.

Ela anseia o momento da partida,
quando a luz dos seus olhos se apagar
E espera enfim sua despedida,
dessa vida de penúria e pesar.






segunda-feira, 21 de maio de 2012

Reminiscências




Tenho saudades do que não vivi.
Dos beijos que nunca provei.
Dos toques que nunca senti.
De alguém que nunca amei.

Quero a música que nunca ouvi.
E o luar que nunca existiu.
O verso que nunca escrevi.
Aquilo que meu olho não viu.

Quero de volta o que não foi meu
O carinho nunca sentido
O sol que ainda não nasceu
Quero achar o que não foi perdido

Quero viver o que não sonhei
Relembrar o que nunca esqueci
E um dia dizer que amei
Aquilo que nunca vi.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Incoerência



Acaso enlouquece aquele que ama?
Perde a Razão o que se enamora?
Se joga sem medo em meio a uma chama.
Se entrega a alguém que um dia vai embora.

O Amor que nos faz de um abismo saltar,
Sem ter o receio que possamos cair
O Amor que nos dá Asas para voar,
E faz te no outro razão pra existir.

O Amor que nos leva rumo à loucura.
E faz ver-nos livres estando cativos.
Que nos faz desejar sua doce tortura.
E morrendo de Amor, julgar estar vivos

Que nos torna do outro assim tão dependente
Que a simples distância já nos causa dor.
Que faz-nos ter vida no outro somente.
Incoerente e Belo, assim é o Amor.


terça-feira, 15 de maio de 2012

Pesadelo


Desperto toda noite assustado.
Ouço passos, vozes e gemidos.
O lamento do grito desesperado.
A dor daqueles que estão perdidos.

Pela noite o assombro é então reinante.
A loucura minha alma desespera.
A agonia no meu peito é sufocante.
Vai-se embora todo o sonho e quimera.

Dessa forma o tempo então se arrasta.
A cada hora só aumenta minha tortura.
A Razão aos poucos de mim se afasta.
O que aumenta ainda mais a minha agrura.

Enlouqueço a cada instante, é inegável.
A demência de minha mente se apodera.
Já me tornei uma figura execrável.
Indo ao encontro do destino que me espera.

quarta-feira, 21 de março de 2012

O Equilibrista


Vivendo sempre um dia por vez.
Me equilibrando em cima do fio da navalha.
Sem rede de proteção ou coisa que o valha
Prossigo tentando esquecer meus porquês.

Respostas, talvez um dia eu tenha
Na verdade agora não importa mais.
Já posso em meio ao caos sentir paz,
não faz diferença o mal que me venha.

Sempre em frente sigo caminhando,
não olho pra trás, não quero cair.
Em minhas palavras me equilibrando,
achando nas letras razão pra sorrir.

Equilibrista das letras, um insano a voar,
Não temo o que possa me trazer o dia.
Pois se o mundo lá fora quer me derrubar
Equilíbrio encontro em minha poesia

O Náufrago



O barco está afundando e não há quem impeça,
os ratos como sempre são os primeiros a pular.
Estou sozinho e pra mim não há mais escapatória.
Não existe pra mim ilha ou tábua de salvação.
Não espero mais a compaixão de Netuno,
O destino está traçado, e não há pra onde correr.
Mas já que estou aqui, seguirei até o fim.
E quando tudo mais tiver se perdido,
e sido esquecido sob o manto do mar,
saberei que fui Eu até o fim,
e não terei do que me envergonhar.
Se sou orgulhoso demais pra pedir socorro,
e se você não nota que preciso de você,
aceitarei o que já se anuncia, afundarei, me afogarei
mas pra você terei sempre um sorriso no rosto.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Indiferença III




O meu verso é o inverso do que hoje sinto,
sem você já não me sinto só.
E se eu choro em meu canto hoje, minto
porque agora estou bem melhor.

já não quero mais o seu beijo,
nem preciso o seu corpo tocar.
Sua boca não me traz mais desejo,
nem desperta o meu paladar.

Seu sorriso já não me diz nada,
o seu choro também não me importa,
na Verdade não faz diferença
se hoje estás viva ou morta...

sábado, 10 de março de 2012

Marquinho (Apenas uma história como muitas outras)



João Marcos Santos da Silva,
no dia 13 de outubro nascido,
fez nascer em seu Zé um sorriso,
pra dona Maria foi uma luz no caminho.
Tendo nascido pequeno e franzino,
sua mãe olhando o belo menino
Com sua voz terna o chamou, Marquinho.

Fruto de muito amor e cuidado
Pros seus pais motivo de alegria
Em sua casa ele era um rei.
Seu castelo? Um quarto e um banheiro.
Se o luxo sempre lhe faltava,
o carinho da mãe que o amava,
compensava a falta de dinheiro.

É verdade não tinha um berço
Nem muito com o que brincar
Seus pais não lhe deram um terço
Do que gostariam de dar.
Mas na falta das mais caras roupas
Faziam o melhor que podiam,
sabiam Marquinho amar.

Marquinho, criança esperta,
na rua não tinha igual,
crescia correndo e brincando
a todos fazia sorrir.
A seu Zé o seu pai muito amava,
e a dona Maria  falava
“É o motivo do meu existir”

Na escola Marquinho ia bem.
Inteligente, todo mundo notava,
Seus professores sempre lhe falavam:
Se você se esforçar e der duro,
não tiver medo do trabalho,
e na vida seguir adiante,
tu terás um belo futuro.
Mas um dia a vida lhe maltrata
E a Marquinho então faz chorar.
Pois um dia vindo do trabalho
algo a seu Zé ocorreu
a polícia invade o Morro
e no meio da troca de tiros
seu Zé então faleceu.

E naquele exato momento
Marquinho então perde o chão
Conhecera dor e sofrimento
Mas agora tinha de ser forte,
Se tornara o homem da casa
E para cuidar de sua mãe
esquecera do seu pai a morte

O tempo passava e Marquinho
não podia entender a razão
de sendo eles tão bons
não ter um pouco de guarida.
Se somos todos iguais,
porque pra alguns sempre mais,
e pra outros nada na vida?

A revolta aos poucos foi crescendo,
E por ele nada entender
O ódio foi lhe corroendo,
isso aos poucos ele pôde ver.
Sua vida tava tão ruim,
não seria pra sempre assim
ele algo iria fazer.

Marquinho via a galera
do “movimento” de sua rua,
pra eles nada  faltava
era sempre “só alegria”
 mulher, farra e dinheiro
 zoeira o tempo inteiro
tinham tudo o que ele queria.

Um dia ele foi procurado
Pelo chefe do movimento,
Que tava ligado em Marquinho
E via que ele era esperto.
Tu é um cara de futuro,
e já que anda sempre “duro”
“fecha” com nós que dá certo.

Marquinho aceita sua proposta
Ele quer mudar sua vida,
e já que não via saída
ele ia dar um jeito nisso.
A partir desse momento.
pra geral no movimento
ele agora era Caniço.

Caniço se destacava,
no meio da malandragem.
Todo mundo sempre lhe falava
“tu é um cara inteligente.”
O tempo logo passou,
e muito não demorou
pra Caniço se tornar “gerente”.

Sua mãe muito chorou
quando ela percebeu,
que o filho que tanto amou
nesse mundo se envolveu.
Nunca pôde lhe dar tudo,
Mas do melhor que ela tinha,
Ela lhe ofereceu.

Um dia uma notícia
do nada espalha o terror,
o Morro ia ser invadido,
então tem que estar ligado.
Mas Caniço não tinha medo,
era só disposição,
e andava sempre armado.

Segurança na favela?
Simplesmente não havia.
A polícia lá no Morro,
demorava a aparecer.
Quando enfim ela surgia,
estava atrás de dinheiro,
ou de alguém pra  bater.

Então chega a madrugada,
o palco está armado.
As ruas estão desertas,
era o dia esperado.
Pelo ar pairava o medo,
quando surge na quebrada
o bonde que vem pesado.
E então o pobre menino
Não tem mais o que fazer.
Não tinha como fugir,
não podia se esconder.
No meio daquele horror,
cheio de medo e pavor
era matar ou morrer.

Mas a sorte dessa vez
não iria lhe sorrir.
Quando no fogo cruzado
procurava proteção,
uma bala pelas costas,
lhe perfura a cabeça
e ele morto cai ao chão.

Em seu enterro sua mãe,
chorava desesperada.
Não queria acreditar
estava morto o seu filhinho
que ela sempre amou.
Caniço nunca existiu,
quem morrera foi Marquinho.
Minha foto
Sou o que sou. Sou incoerente por vezes, sou sonhador sempre, temo o desconhecido sem contudo deixar de arriscar, tenho planos e projetos, construí e e ví cair em minha frente castelos. Como un anjo voei ao céu mas longínquo, e como um cometa caí. A queda de machucou, contudo me fez mais forte. Sou falho e impreciso. Simplesmente indefinível, enfim sou apenas humano.