segunda-feira, 15 de maio de 2017

Senda dos Infortúnios



Os meus pés doem do caminho,
os meus braços não consigo levantar.
Mesmo quando acompanhado estou sozinho
e assim continuo a caminhar.
Ilusões o deserto me oferece.
Só miragens que não posso alcançar.
Se estendo as minhas mãos, a nada toco,
mesmo assim continuo a caminhar.
A estrada se estende a minha frente,
até onde eu consigo observar.
E já não importa a dor que o peito sente.
Importante é o contínuo caminhar.
Por veredas tortuosas e inseguras.
Por abismos e perigos d’além mar.
Dia e noite sofrendo tais agruras,
noite e dia prosseguindo em caminhar.
De onde e quando eu parti, já me esqueço.
Não interessa se terei onde chegar.
De nada valem dia ou noite, fim, começo.
Só importa que eu continue a caminhar...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O Que Queremos

A gente não quer esmola,
Só queremos aquilo que é nosso.
Os direitos por nós conquistados,
Frutos de intensas batalhas,
De lutas contra os poderosos,
Nosso sangue no chão derramado.

Não se cala milhares de vozes,
Que em rebelião se levanta
Contra nossos algozes.
Que por nós foram empoderados,
E buscam os seus interesses
Com ganância e afinco atrozes.

Tentam roubar nossa esperança
E quebrar o nosso coração.
Apagando de nossa lembrança
Qual e ó nosso quinhão.
Nos tomam nossa dignidade,
Da saúde fazem um produto
O mesmo com a educação.
Àquele que luta o que ganha? As grades.
E aquele que cala, a cruel servidão.

Não, não queremos esmolas,
Só aquilo que é de direito.
Justiça, paz e equidade.
Esperança e também liberdade

E acima de tudo, o Respeito.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A Flor e o Jardineiro

O jardineiro colheu uma muda
e a plantou em seu jardim.
E sorrindo então pensava:
“minha tristeza terá fim,
nunca mais serei sozinho
e serei feliz, enfim.”

Sendo sempre bem cuidada
floresceu a flor e assim,
como nada lhe faltava
se tornou um belo jasmim.
E a tudo perfumava,
mais que um ramo de alecrim.

Um belo dia a flor altiva
Ao jardineiro disse assim:
“Aqui onde estou o sol me falta,
Jamais serei uma planta alta,
Quem me dera ver meu fim!”

Ela então foi transportada
para um monte ensolarado,
e acreditava o jardineiro
com todo o seu esforço
ter agradado o ser amado.

“Sei que queres me ver morta,
certamente é assim.
Pois aqui o sol me corta
e me mata de ter sede.
Quem me dera ter meu fim!”

Paciente e tão bondoso
a transportou para o ribeiro
e a plantou na margem alta.
“Ela jamais terá sede,
pois aqui água não falta”
Considerava o Jardineiro

“Pois agora está provado
que já não gostas de mim.
Estou longe de outras flores
e neste lugar solitário,
só ouço o canto do canário.
Quem me dera ter meu fim!”

Percebeu então o jardineiro
que nada lhe agradava.
Se lhe ofertasse o mundo inteiro
mesmo assim não adiantava.
Não importa o que se fizesse,
a bela flor só reclamava.

E então em um belo dia
em que reclamava o jasmim
do tom de verde da grama
que plantada fora enfim.
De ocupada não notava
no jardineiro que chorava,
e olhando pra ela pensava:
“Sempre fiz o melhor que pude
e sou tratado assim.
Dela só ouço palavras rudes,
Nenhum carinho tive enfim.
Mesmo por que, não é que isso importe.
Acostumado já estou com minha sorte.

Quem me dera ter um fim...”

sábado, 20 de agosto de 2016

Libertação Final

O bem que desejo, esse nao faço.
E o mal que em mim há é por vezes mais forte.
Miserável homem que sou.
Quem me livrará deste corpo, a morte?

Mesmo em quando de multidões sou cercado,
a cruel solidão é sempre minha sorte.
Miserável homem que sou.
Quem me livrará deste corpo, a morte?

Inclinado ao erro sou Eu, nao nego.
E buscando acertar, se é que isso importe.
Miserável homem que sou.
Quem me livrará deste corpo, a morte?

Pois o bem que desejo, esse nao faço.
E o mal que em mim há é por vezes mais forte.
Miserável homem que sou.
Quem me livrará deste corpo? A morte.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Fugaz

A flor nasce e se esvai,
Com o tempo murcha e cai
Da exuberância de outrora ninguém lembra mais

A vida, sempre tão fugaz
Faz do tempo um verdugo feroz
Que consome tudo ao seu redor.

O que hoje parece tão forte
Eterno e inabalável
Sofrerá desta mesma sorte

O vazio, a dor escondida,
A esperança de ti arrancada
Se encerra em sua partida

E no fim quando tudo acabar,
Nem riso e nem dor restará

Só o silêncio permanecerá.

sábado, 29 de novembro de 2014

Sinergia

Energia compartilhada
adição de sentido,
como resultado algo é movido.
Consegue-se o que era impossível,
modifica-se o irredutível,
Alcança-se o impensável,
fruto de um esforço incrível.
Além de qualquer esperança,
frustrando toda expectativa
de ver morrerem suas forças,
e segue-se essa roda viva.
Convergência de forças,
por vezes opostas,
resultando em novos caminhos
que trazem a vida idéias mortas,
e objetivos outrora perdidos.
Pro bom resultado de um Trabalho
 a Física já nos dizia:
se multiplica à Distância percorrida,
(o que te separa do sonho),
à força por dois empregada
(pra dar um sentido à vida)
Gerando assim Sinergia.


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Gênesi


E então a noite se fez dia.
Da tempestade fez-se a calma.
E do pranto fez-se o riso.
E liberta foi minha Alma.

E das trevas, luz se fez,
e calor onde era frio.
Do desespero nasce a esperança.
No deserto surgiu um rio.

Fez-se vida onde morte havia.
E do silêncio nasce a canção.
Celebra aquele que triste estava
O inverno se fez verão.

E coloriu-se o que era cinza.
Em meio as pedras nasceu a flor.                                                             
E quando entraste em minha vida,
em mim senti nascer o amor.
Minha foto
Sou o que sou. Sou incoerente por vezes, sou sonhador sempre, temo o desconhecido sem contudo deixar de arriscar, tenho planos e projetos, construí e e ví cair em minha frente castelos. Como un anjo voei ao céu mas longínquo, e como um cometa caí. A queda de machucou, contudo me fez mais forte. Sou falho e impreciso. Simplesmente indefinível, enfim sou apenas humano.