terça-feira, 30 de agosto de 2011

O Monstro do Abismo


À beira do abismo parado
vejo surgir um espectro
aos poucos o vejo subir.

Maldade existe em seus olhos,
e enquanto ele me encara,
seus lábios parecem sorrir

O medo de mim toma conta,
meu sangue nas veias gela,
meu corpo começa a tremer.

Suas mãos pra mim se estendem,
parecem querer me agarrar
me sinto então desfalecer.

Quando sua boca se abre,
uma voz tão fria e medonha
no silêncio eu posso ouvir.

“Não entendo por que lutas tanto,
quando melhor é se entregar
contra mim não podes resistir.

Se me aceitas serás então livre,
nunca mais dor e sofrimento
ninguém mais irá lhe machucar.

Não precisas mais deste tormento,
simplesmente me dê sua mão
e veja sua vida mudar.

Terás sempre o que quiser,
se importar com o outro pra quê?
Sendo assim você se machucou

Quantas vezes eu te vi sofrer?
Pois aquele a quem deste a mão
Foi o mesmo que te magoou.”

Enquanto ele falava eu tremi,
e quase com ele eu fui
quando a sua mão se estendeu.

No entanto a tempo percebi,
e parei quando então eu vi
que o monstro do abismo sou Eu.

sábado, 30 de julho de 2011

Lembrança Espectral

Espectro que evoca imagens do passado.
Fantasma que retoma o que havia se perdido.
Trazendo então à tona o que fora enterrado.
Lançando aos nossos olhos o que fora esquecido.

Se diverte quando vê noss’ alma despedaçada,
e na garganta sempre preso o grito que nos sufoca.
O terror brilha nos olhos, respiração estagnada
pela dor que advêm das memórias que invoca.

O sorriso vai ao longe nessa hora tão sombria.
A esperança de haver pra essa dor uma medida,
Se desfaz ante o horror que a memória nos impele

A  lembrança que julgamos a muito esquecida,
nos relega então agora a uma noite de agonia,
sem ter quem por pena ou culpa o nosso sono vele.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Carpe Diem


O que é pra nós essa Vida, essas Cores?
O nascer de uma planta, o surgir de uma flor.
Seca-se a erva, morrem as flores.
E tudo que vive perde o vigor.

O Tempo, um Titã, tão cruel no agir, 

a todos seus filhos vem devorar. 
E tudo que é vivo deixa de existir, 
sucumbe ao seu infinito escoar. 

O vento que sopra, a areia carrega, 
assim enterrando o que pra trás ficou. 
E morre em desgraça aquele que se entrega 
a amargas lembranças que o tempo deixou. 

Por isso então viva de forma intensa, 
A taça da vida aos poucos se esvazia. 
Viver para o pranto sei que não compensa. 
Em tempos de Paz Aproveite o Dia.





sábado, 23 de julho de 2011

Requiem Aeternam (Repouso Eterno)


Quando enfim eu passar o Aqueronte,
me despedindo assim da terra do que vive,
e da vida atravessar tão longa ponte,
não lembrarei mais aquilo que não tive.

Não importa mais a dor tão lacerante.
Nem o sangue que jorrava da ferida.
E a mágoa dissipada num instante,
No momento em que Adeus eu der a vida.

Frustrações pelos sonhos não vividos.
Desespero por promessas não cumpridas.
Noites frias de choro convulsivo.

Desamores finalmente esquecidos,
tenho paz enfim na hora da partida,
paz negada a mim enquanto estive vivo.


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Indiferença II

Me cansei de palavras vazias.
Jogo fora sentimentos insanos.
Mas ainda me permito errar,
pois isso que nos faz humanos.

Me cansei de falsos amores.
E desprezo também seu sorriso.
E ainda resisto minhas dores
por não ter tudo que preciso.

Me cansei de sobras de carinho.
Ignoro seus restos de afeto.
E se ainda eu estou sozinho,
é por que não te quero por perto

Me cansei de bancar seu amigo.
E rejeito o seu bem querer.
E se ainda não entendes que digo,
simplesmente cansei de você.

O Pássaro, a Gaiola e o Céu



O pássaro preso na gaiola olhava
o céu e ansiava por ele voar.
Porém não podia, pois preso estava.
As grades queriam seu sonho roubar

E a todas as outras aves invejava
quando nos ares se punham a cantar
tão bela canção que nos céus ecoava,
por que eram livres podiam voar.

Por dias e dias em vão lamentava
sorte tão maldita que lhe ousava negar
fazer aquilo que mais desejava,
de nos altos céus livre voar.

Um dia acordou e não acreditava,
A porta estava aberta podia voar.
Mas por não saber o que lhe esperava
O medo o impedira então de escapar

Recusando o convite dos céus que o chamava
a esquecer os dias de dor e pesar,
preferiu aquilo a que já se acostumava,
e perdeu sua chance de livre voar.

sábado, 16 de julho de 2011

Indiferença

Quando a noite fria chegar,
e o claro tornar-se um breu.
Quando sua ferida sangrar,
esqueça que um dia fui seu.

Não terás mais o meu carinho
quando o pranto vier lhe assolar.
Saberás o que é ser sozinho
e não ter onde se apoiar.

Não espere de mim piedade
se um dia eu lhe vir chorar.
Pois a dor que agora lhe invade
como eu poderás suportar.

Não importa se choras agora.
E nem ligo pra tudo que diz.
Já que um dia me mandaste embora,
não me importa que seja infeliz.



Minha foto
Sou o que sou. Sou incoerente por vezes, sou sonhador sempre, temo o desconhecido sem contudo deixar de arriscar, tenho planos e projetos, construí e e ví cair em minha frente castelos. Como un anjo voei ao céu mas longínquo, e como um cometa caí. A queda de machucou, contudo me fez mais forte. Sou falho e impreciso. Simplesmente indefinível, enfim sou apenas humano.