quarta-feira, 19 de março de 2014

Metamorfose

 
Outrora mergulhado em letargia,
sobrevivendo imerso em agonia,
fazendo da tristeza meu quinhão.
Exalava de mim tanta apatia,
que quem olhasse bem então veria,
que em mim já não havia pulsação.
Um coração que quase não batia,
e um sorriso falso que existia
em um viver acostumado à solidão.
Como um barco sem saber aonde ia,
um viajante que assim não conhecia,
a estrada que o levava à exaustão.
Eu caminhava, e por certo só existia.
para ver que o sol nascera no outro dia,
e que nada enfim se transformara então.
E assim minha vida eu seguia,
sem achar que um dia encontraria,
para esta cantilena solução.
Até que eu vi a luz que se irradia,
do rosto de uma moça que sorria,
dissipando então assim a escuridão.
E a sua gargalhada exprimia,
com tanta exatidão sua alegria,
que a mim me serviu de inspiração.
E como a muito tempo não sentia,
em mim brotar sorrisos, percebia,
nascia em mim uma transformação.
Quando ela estava lá, mais nada havia.
e se ela não estava eu não existia.
e voltava a mergulhar em aflição.
Então notei que dela eu dependia,
que por ela e pra ela eu viveria,

e por isto eu faço esta canção.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Inexistência


Eu sem você
Sou um barco sem leme a boiar.
Uma ilha sem mar para estar.
Uma estrela sem céu pra brilhar
Eu sem você
Sou a noite que espera o dia chegar.
Melodia sem música para se cantar.
Andarilho sem ter onde andar.
Eu sem você
Sou semente que nunca vingou
Alvorada que nunca raiou.
Sou um acorde que nunca soou
Eu sem você
Sou a espera que nunca termina
Sou lâmpada que não ilumina.
Sou como rua sem esquina.
Eu sem você
Sou peça nunca encenada.
Aquarela nunca pintada.
Um filme que nunca foi visto.
Pois eu sem você, não existo.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Midiático ou homenagem à groselha Institucionalizada


Midiático, fanático, reacionário.
Pobre de opinião, comentário desnecessário.
Joga um jogo obscuro, produz o absurdo
incentivando o caos.
No texto inverte o contexto, arrumando pretexto
pra proteger os maus.
Em sua balança alterada existem dois pesos
duas medidas.
À luta chama baderna, e ao violento protetor da vida.
Enquanto o verdadeiro culpado se esconde
Usando terno e gravata.
Ele na frente da câmera com o seu discurso vomita bravata.
Inverte causa e efeito, e diz não ter jeito pra essa Nação.
Defende a Linha Dura, fruto da mais pura enganação.
Por Ordem entende outras ordens, e a verdade quer subverter.
Cãozinho bem adestrado, protege àqueles que estão no poder.
Que desde Cabral são quem manda,
detendo em suas mãos o chicote e o brasão.
Mantendo o poder em suas garras enquanto parasitam
nossa Nação.
Porta vozes de uma casta nobre, que humilha o pobre
e o torna um vilão.
Matando toda esperança e fechando os olhos da população.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Soneto da Solidão

Andar lado a lado com a Solidão.
Se alimentar de sonho e quimera.
Fazer do Silêncio o seu refrão.
É este o destino que te espera.

Acostume=se à mais completa ausência.
E ao choro muitas vezes suprimido.
Pois serás de todo esquecido,
por amigos que só o são em aparência.

Quando à noite estiveres triste,
e andar tropeçando em mil caminhos,
sem ouvir uma voz que te conforte.

Saberás que sempre andou sozinho.
Com a dor que em seu peito ainda existe,
sem achar alguém que se importe. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Ela

Ela traz a luz, faz surgir ondas no mar.
Simplesmente essencial, vivo por seu respirar.
Do seu sopro faz-se vento, do seu choro temporal.
Em seu beijo há doçuras e delícias sem igual.

Sua voz é o murmúrio de um rio a correr
Em seu corpo mil caminhos onde quero me perder.

Vou beber de sua fonte, que emana só pra mim.
Quero estar sempre ao seu lado e gozar amor sem fim.
Ao seu lado, o tempo para. Não importa mais a hora

E nela se confundem o ontem, o amanhã e o agora.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

O Alquimista

Abrir mão de sua própria estética.
Pra fazer uma poesia antiética.
E ser livre em seu versejar.

Dizer não a uma forma hermética.
Não importando a sílaba poética.
Ou a língua se é culta ou vulgar.

Experimenta como um alquimista.
Algo faz com que ele persista.
Mago das palavras, assim se define.

Quando transforma em canto seu alarido,
e assim modifica o sentido
das palavras que em cada verso imprime.

Carpen Diem II (Para Uma Amiga que Quase Morreu)



Aproveite o dia minha criança.
Se podes aproveita do sol o calor.
Por que o que fica são somente lembranças.
E a vida que tens passará com o vapor.

Nosso fio de vida aqui é tão frágil,
e são tantas as coisas que nossa alma anseia.
Esquece que o tempo, que aqui passa é ágil.
Como o vento que sopra, carrega a areia.

A vida é um fio que logo é cortado,
a vida é um sopro, como um respirar.
Como no teatro quando desce o pano,
é como um rio que corre pro mar.
Minha foto
Sou o que sou. Sou incoerente por vezes, sou sonhador sempre, temo o desconhecido sem contudo deixar de arriscar, tenho planos e projetos, construí e e ví cair em minha frente castelos. Como un anjo voei ao céu mas longínquo, e como um cometa caí. A queda de machucou, contudo me fez mais forte. Sou falho e impreciso. Simplesmente indefinível, enfim sou apenas humano.